Mama de Andres Muschietti surge como filme de horror sobrenatural, inspirado no momento do cinema Japonês que aborda o tema de fantasmas e a repetição de acontecimentos obscuro do passado dos personagens como fonte de conflito. O filme, produzido pelo célebre Guilherme Del Toro (diretor de "O Labirinto do Pan" e "Hellboy", entre outros) é produtor do filme, e sua marca autoral fica clara na obra. Vamos ver como isso se da.
Guillermo del Toro é um diretor muito comentado tanto pela sua competência
quanto pelo seu apego e esmero no acabamento estético/visual. Apesar de
Mama ser dirigido por Andres Muschietti, del Toro foi o produtor e as
marcas disso estão visíveis por toda produção. O professor de roteiro
Joaquim Ghirotti parte desde filme para comentar a carreira deste
produtor/diretor que claramente almeja deixar sua marca na história do
cinema de horror.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Sepultura - The mediator between head and hand must be the heart
O Sepultura é uma das bandas mais importantes do mundo no cenário do
black/thrash/death metal e fez história no gênero. Músicas como "troops
of doom" são clássicos e discos como "Roots" são pontos de virada
importantísssimos para toda a música pesada.
Neste vídeo, Joaquim Ghirotti comenta sobre a carreira do Sepultura, sobre a influência da banda em diversos estilos musicais, ate o mais novo album, "the mediator between head and hands must be the heart", que é uma volta aos anos 80 sem esquecer de toda trilha que a banda passou.
PARTE 1
PARTE 2
Neste vídeo, Joaquim Ghirotti comenta sobre a carreira do Sepultura, sobre a influência da banda em diversos estilos musicais, ate o mais novo album, "the mediator between head and hands must be the heart", que é uma volta aos anos 80 sem esquecer de toda trilha que a banda passou.
PARTE 1
PARTE 2
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Outland e o Fim da violência política em Hollywood - Spoiler-o-rama
Outland e o Fim da violência política em Hollywood - Spoiler-o-rama
Outland (1981) é um filme de Sci-Fi de Peter Hyams, estrelado por Sean Connery. Num futuro distante e indeterminado um xerife locado na lua Io, de Júpiter, enfrenta uma conspiração envolvendo dinheiro e drogas.
Apesar do Sci Fi ser muito renegado e encarado como um cinema de segunda linha, quando analisamos os contextos históricos e sócio-econômicos podemos tirar conclusões muito mais interessantes e profundas. Podemos dizer que este filme é um dos últimos suspiros do cinema violento e político da década de 70.
Joaquim Ghirotti, professor de Roteiro em cursos de graduação e pós graduação, discorre sobre o assunto e nos mostra que não existe grande distância entre o cenário social de Io futurista em Outland e do planeta terra na atualidade.
--
Este vídeo artigo apresenta o contexto histórico-cultural da criação do filme Outland, dirigido por Peter Hyams, em 1981. São feitas ligações entre o surgimento da Nova Hollywood e o filme, além de se apresentar o cenário de sci-fi do final dos anos 70 nos quadrinhos adultos. Considerações sobre o surgimento das publicações Heavy Metal/Metal Hurlant e o papel de Moebius, Giger na estética e na linguagem do cinema.
É discutida a apropriação da estrutura de MATAR OU MORRER de
Zimmerman dentro do gênero do suspense espacial. Outlando readapta a
critica da trama contra grandes corporações e a exploração capitalista
desenfreada, para o contexto da sci fi. (podemos estabelecer um paralelo com a Chinesa Foxconn hoje
em dia) enquanto Matar ou Morrer é um drama pessoal sobre a falta de
empatia e o dilema ético de um homem que fica sozinho por principios. Os
paralelos são então com o McCarthismo cinquentista.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Django Unchained - Quentin Tarantino
Resenha de DJANGO, último filme de Quentin Tarantino. Como esse cineasta se encaixa dentro do cinema contemporâneo e quais são os limites da cinematografia de Tarantino?
Richard Corben e Ragemoor
Análise/resenha do álbum RAGEMOOR, contextualizando a carreira dos autores Jan Strnad e Richard Corben e entendendo a obra como resultado da tradição do horror de H.P. Lovecraft.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Hipster metal
A MALDIÇÃO DO HIPSTER METAL - UM ESTUDO EM PROFUNDIDADE
Vou começar dizendo um clichê. Jamais imaginei que... Jamais imaginei que o metal extremo fosse virar algo hipster e descoladinho, sinônimo de uma espécie de intelectualidade, com um verniz obscuro e ameaçador. Mas quando as coisas chegam ao ponto do Thurston Moore entrar numa banda de black metal (coisa que ele não faria em 1992 nem sob ordem judicial), dele sequer se interessar por isso, significa que esse dia chegou. O metal extremo está sendo não só aceito, como também admirado, e produzido, por um grupo de posers.
Acabou. Fechem a loja.
Algo tem se abatido sobre o gênero músical número um de gente não sofisticada e ogra, que curte rock.
Tentando entender esse fenômeno, escrevi esse LIVRO sobre o assunto. Só entendendo algo em profundidade chegaremos a seu complicamento completo e complexo. E assim me divirto também. Começo procurando contextualizar o que é o que. O texto é longo. Mas e daí? Você está ocupado? Não, você está na INTERNET, e ninguém que está na internet está ocupado. Portanto engula o choro e leia essa porra. Acompanhem-me os fortes.
Façamos então breve definições do que é o metal, e o que é o hipster, para subsequentemente desabrochar esse RELEVANTE debate.
Façamos então breve definições do que é o metal, e o que é o hipster, para subsequentemente desabrochar esse RELEVANTE debate.
Heavy metal é sobre cavalgar no cavalo da vida, seguindo, ceifando inimigos e fazendo seu próprio destino, decepando cabeças, conquistando problemas e mulheres (dois elementos que tem muito em comum, aliás). Enfim, o heavy metal é sobre viver e ser, sendo foda.
Hipsterismo é sobre ser descolado, blasê, intelectual e irônico. Entretendo sua turma com comentários e referencias sobre cultura pop. Tendo um visual style.
Hipsterismo é sobre ser descolado, blasê, intelectual e irônico. Entretendo sua turma com comentários e referencias sobre cultura pop. Tendo um visual style.
Estas definições estão breves. Vamos tentar dar profundidade a idéia de o que é um hipster: pessoas envolvidas em atividades culturais de "vanguarda", que procuram aquilo que é novo, e se definem através disso. O hipster também é um provocador, na verdade, um provocateur, já que alguns deles vivem na île-de-france, como veremos abaixo, e um diletante, sempre divertindo-se com aquilo que gosta, ou a o que se dedica, levando a coisa com um ar de ironia.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Death Fan Club
Na metade dos anos 90, 94, acho, comecei a escrever para a banda Death. Não tinha acesso a internet, seu uso não era lugar comum, como todos aí sabem. A paisagem online ainda era dominada por BBSs e conexões discadas. Portanto, enviei uma carta para eles na Flórida, explicando minha apreciação da banda, e rapidamente fui aceito no seu fã-clube.
O presidente era um tal de "Dan Robinson", pessoa que, depois me informou a internet, era o próprio Chuck. Como dizia o editorial do primeiro número do Zine deles, o "Metal Crusade":
ALL letters are passed onto Chuck Schuldiner, who spends
time each week reading Fan Mail. The METAL CRUSADE office
is based in Chuck's home town so he receives your letters immidiately.
Como podemos ver, o Chuck mesmo lia tudo. Grande atitude do músico. Uma vez ele respondeu uma carta que meu amigo Denis Pereira mandou. Endereçou-a diretamente ao Denis. Ele, que como eu, tinha uns 17 anos na ocasião, contava para Chuck que jogava muito futebol. Chuck foi simpático e me lembro que sua carta manuscrita falava para Denis "keep up the killer soccer playing!". Palavras positivas e de um estimulo FOFO a nós, jovens ingênuos e cretinos, feitas com sinceridade por um músico que até hoje eu admiro muito. Aliás, confesso que chorei como uma menina que perdeu a sandália em um filme Iraniano quando ele morreu em 2001. O Death foi uma banda que realmente mudou minha visão de música.
Chuck, praticando a arte de ser fofo em plenos anos 90, quando, dentro do death metal, ou você era malvado... Ou você era malvado.
Enfim, tirei umas fotos do fanzine que ele mandava para nós, o Metal Crusade. O zine tinha diversas (e divertidas) palavras de ordem sobre o Heavy Metal (Support music, not rumors!) receitas de comida que o Chuck fazia, desenhos bacanas, e, claro, novidades sobre a banda. Também vendia camisetas (comprei uma do Individual, que depois dei para alguém, não sei quem) e canecas, além de uma espécie de espuma para não deixar a cerveja esfriar (ganhei uma dessas do Chuck, de grátis, mas um cachorro comeu).
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
UMA BREVE ANÁLISE DE CABO DO MEDO
UMA
BREVE ANÁLISE DE CABO DO MEDO
De Martin Scorsese
![]() |
| "Cape Fear", de 1962, com Robert Mitchum e Gregory Peck |
“Cabo
do Medo” é uma refilmagem de um filme dos anos 60 feita por Martin Scorsese no
inicio dos anos 90. Vi esse filme com meus amigos Leonardo e Denis em um cinema
do centro de São Paulo na época de seu lançamento, mas isso não vem ao caso. O
que vem ao caso é que o filme conta a história de um homem, Max Cady (Robert
Deniro) que foi condenado a cadeia por estupro. Sua condenação se deu, se em
muito, devido ao fato de que seu advogado, Sam Bowden, deliberadamente o
defendeu mal, tendo consciência de que seu cliente era um estuprador. Quando
finalmente solto, Cady resolve partir para a vingança, perseguindo Bowden e sua
família. Aqui vou analizar algumas cenas do filme e sua construção.
No
inicio do filme, temos uma seqüência interessante de cortes marcantes com
mudança de ângulo de câmera na cena em que Jessica Lange (Leigh Bowden) está se observando no espelho, até ser
abordada por Nick Nolte (Sam Bowden). A abordagem é repentina e desperta
surpresa e atenção. Esse, na verdade, é a forma narrativa do filme: cortes
bruscos e repentinos que levantam a atenção e deixam o espectador em um estado
constante de tensão e expectativa.
Outra cena que segue essa máxima apresenta-se
na seqüência em que Sam Bowden é abordado por Robert DeNiro (Max Cady) no
estacionamento, e fica claro o desconforto entre os dois personagens (nesse
momento Cady finalmente se identifica como um antigo "cliente" de
Bowden, e seu método de intimidação através do estabelecimento de um estado de tensão
e insegurança constante tornam-se claros). Os cortes da cena são rápidos e
alternam entre Cady e Bowden se observando e discutindo pacificamente, mas
apenas nas superfície, pois esta claro o estado de constante tensão que se
passa por debaixo das aparências. A posição de Cady, apoiando-se sobre o carro
de Bowden e este inferiorizado por estar sentado (e sendo mostrado da
perspectiva de Cady como menor) também informa sobre a relação entre os dois.
Com
a crescente tensão do filme, os cortes tornam-se gradualmente mais bruscos. É
importante notar a presença da música de Elmer Bernstein e Bernard Herrmann
como agente fundamental e complementador da edição do filme (realisada por
Thelma Schoonmaker, que desenvolveu parceria notoria com Scorcese ao longo dos
anos). Outra cena em que o corte marca presença é quando Sam entra no
escritório de seu amigo detetive e lhe pede uma arma. O corte é feito a partir
de uma cena em que a porta da casa dos Bowden é batida e com o impacto somos
levados ao escritório.
Temos
uma interessante elipse quando Nolte, em seu escritório, atende ao telefone
após ser informado de que sua esposa precisa falar com ele. Na seqüência já
temos ele se dirigindo a sua casa, tenso, pois o cachorro da família foi
envenenado (entretanto apenas descobrimos isso assim que ele chega). A tensão é
mantida pois sabemos que algo de ruim está acontecendo, só não sabemos o que.
Assim a narrativa do filme se constrói causando pequenos momentos de constante
desconforto no espectador.
Quando
Danny (Juliette Lewis), a filha de Bowen, sai da escola após ser
"seduzida" pelo "professor de teatro" (novamente Cady)
temos outra elipse, onde não podemos ver o percurso que ela fez mas sim está
subentendido que ela esta voltando, e seu desespero se deve a presença e a
maneira desconfortável com que Cady a tratou, alternando entre o sedutor e o
perigoso.
Uma
seqüência interessante onde o suspense é crescente se da quando a família
prepara uma armadilha para Cady com auxílio do investigador. A tensão é
constante, e seu clímax culmina nas mortes da serviçal da família e do
investigador. Trata-se de uma cena
desagradável onde Bowden escorrega no sangue da vítima no chão da cozinha, e
perde o controle, saindo ensandecido e dando disparos na porta da casa. O
conflito se estabelece quando vemos que Cady tomou o lugar da serviçal e vai
matar o investigador, sabemos disso e somos cúmplices de Cady, não podemos
fazer nada assim que a tomada é cortada, ficando fadados a aguardar os resultados.
A
seqüência final é grandiosa e catastrófica. Toda a tensão acumulada ao longo do
filme é finalmente liberada nos minutos finais de forma grandiloqüente e
apocalíptica. Ela se constrói a partir do momento em que o cenário inóspito se
põe presente (um barco a beira do rio, a noite) e a tempestade crescente que se
apresenta conforme a edição se torna mais ágil e fragmentada. O clímax é
atingido quando temos a família a mercê de Cady, seus jogos de tortura com Sam
e a alternação de ameaças a Leigh (esposa) e Danny. Temos a simulação de um
julgamento de acordo com a ética doentia de Cady, que demonstra o lado falho do
"herói" do filme (Bowden). De
uma forma ou de outra ele agiu errado: omitiu um fato na corte e não cumpriu
seu papel moral como advogado. Ninguém é limpo de acordo com Scorsese (Bowden
também flerta com uma colega de trabalho no inicio do filme, em mais uma
indicação de sua dubiedade de caráter). Cady é uma lembrança disso, trás isso a
tona.
Com
o clímax final temos a quebra da aparente felicidade estável da família colocada
a mercê de um psicopata metódico. Bowden, algemado, está submetido aos atos de
Cady que age como Júri, Juiz e Carrasco. Ele faz citações bíblicas ("Você
esta condenado ao nono circúlo do inferno, o circúlo dos traidores!")
dando um aspecto religioso ao martírio que impõe sobre a família. Cady é
queimado por Danny, em uma cena que desperta surpresa e desconforto, mas
finalmente alivio (estaremos livres dele?). Evidente que, como em todo bom
thriller, as coisas não são tão fáceis assim, e o criminoso volta em um momento
surpresa, agarrando Bowden e dando continuidade a atmosfera de tensão
constante. Finalmente, quando o barco perde controle na tempestade temos uma
alternação de cenas do barco fora de controle e a luta interior no interior dos
dois personagens centrais. Tanto o barco como a câmera giram, causando a
sensação de turbulência e tensão. A água e jogada mas volta, retrocede, e
finalmente eles caem em uma espécie de praia.
Lá, inicia-se a luta selvagem entre os dois (chegam a usar pedras) e
Cady age como a consciência de Bowden, sempre eufórico, apocalíptico. Ele é a consciência
que não vai embora, nunca morre, atormenta.
Finalmente Cady afunda, lentamente, e morre. Bowden lava as mãos do sangue
(sua culpa?) algo que nunca irá embora. Ele não está limpo, e Max Cady irá
sempre lhe lembrar disso.
A construção dessa seqüência é feita de forma
crescente, a narrativa torna-se mais dinâmica à medida que o tempo passa e o
clímax da luta final leva a um final desconfortável e inquietante. A última
cena é tomada pelos olhos inocentes (?)
de Danny negativados, nos observando enquanto os observamos de volta. . "Se
você vive no passado, morre um pouco a cada dia" é a frase final.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Inglorious Basterds
Marcou... Não podemos negar, não podemos negar, meninos! E criou uma geração de seguidores, estes que fazem filmes medíocres com gangsters que fazem piadas e depois mergulham em violência e cenas chocantes. Como por exemplo o ex-Madonna, guy Ritchie; essencialmente um Tarantino inglês de segunda categoria.
Acima de tudo, seu cinema não é um cinema sobre a vida ou relações humanas, mas sim sobre o próprio Cinema, coisas que o Tarantino assistiu quando era um adolescente (periodo que nunca abandonou, aliás). É um Cinema para cinéfilos, repleto de cenas derivadas, violência e choque barato. Mas extremamente divertido. Tudo que liga as situações-citações de Tarantino é um dos mais primais acontecimentos testemunhados pelo homem: os eventos tomados por violência, que irão submeter seu espectador a excitação e prazer, mas raramente a empatia. Ou seja, Tarantino, de maneira geral, celebra valores egoístas e excessivamente preocupados com estetica. Trata-se de um cinema essencialmente pós moderno; consumista, niilista, hedonista, individualista, criado por signos, onde não se é o que se é, mas sim o que se parece, o que se veste e o que se representa, o que se tenta parecer. Acima de tudo, Tarantino faz um cinema de status. Estritamente ele é efemero e anti-intelectual, seu cinema é eminentemente voltado para a estetização e a emoção, a superficialidade. Ele não desenvolve algo genial sobre os temas que explora e não investiga os personagens que retrata e suas trajetórias com causas e consequências, qualquer que seja o tema que está explorando: a vida no crime, ser um policial, testemunhar a guerra. Nada disso importa, desde que seja pano de fundo para violência estilizada. Seus personagens não tem valores. Entropia, a destruição de valores e a confusão deles, predomina numa mistura de citações de cultura popular.
Apesar de Tarantino estar lidando com Nazistas, isso é uma mera escolha estética baseada na herança cinematográfica que ele teve como criança, assistindo filmes sobre o tema. Como ícone pós-moderno que ele é, seu cinema é eminentemente despolitizado; sua preocupação não é com a origem do Nazismo, seus efeitos, causas, consequências. Sua narrativa não se preocupa em tentar entender a mente do oficial Aldo Landa ou o trauma de Shosanna . Os Nazistas são inimigos herdados por sua infância assistindo filmes da Segunda Guerra. Sua preocupação está em explorar cenas de ação e conflito com fortes momentos emocionais e forte estilização estética. Convenientemente o Nazismo é a encarnação do mal puro no inconsciente (e no consciente) coletivo do ocidente contemporâneo, o que permite a Tarantino se dar ao luxo de alegremente torturar soldados Alemães na tela, completamente livre de qualquer sentimento de culpa, tanto para ele como artista como para o espectador.
Justificado pelas atrocidades cometidas pela Alemanha Nazista, Tarantino tem sinal verde para trucidar pessoas na tela com requintes de crueldade e ódio adolescente. Seu cinema é anti-humanista, sem preocupação nenhuma com questões morais. A escolha tampouco é patriota ou, como nos filmes de Segunda Guerra originais, voltada para a excitação da ação, da batalha. A glória de se lutar pelo país, tão bem representada por séries como "Combate" ou atores como John Wayne, não interessa a Tarantino. Estes valores se encontram abaixo de algo maior, que é a nostalgia do diretor por suas referencias cinematográficas e de uma guerra que permitia, com algum senso de justiça, crueldade com o inimigo. Seu cinema é um cinema de CENAS. Cenas que devem se tornar memoráveis, marcar a memória do espectador como sequências estéticamente bem acabadas. Pequenas momentos que importam mais do que a premissa como um todo. É um cinema sem valores, hedonista. Há a procura do prazer estético e da criação de cenas violentas. É um cinema narcisista, preocupado eminentemente com estilo, estilização e aparências.
De qualquer forma, Tarantino resolveu botar a cabeça pra funcionar, e superou Kill Bill. Não que o filme escape de seus cacoetes, mas algo mudou. Filmes de caras numa missão tem uma tendência a apresentarem ao menos uma boa estrutura para uma aventura. Basicamente IB é uma aventura de RPG, na qual os jogadores são os Basterds e a missão deles é matar muitos nazistas, com bonus points se eles pegarem oficiais do alto escalão, claro. Aliás, QUALQUER campanha de RPG que eu já tenha jogado é melhor do que 90%, empiricamente, dos filmes de ação que eu assistí.
A premissa já ajuda o filme a ser bom. Filme que se passa nos anos 40. Não vai dar, tanto assim, para o Tarantino fazer citações grosseiras, mergulhar em referencias a obscuros filmes asiaticos... Tem até uma cena na qual um nazista apaga um cigarro num crepe, ou torta. E se isso nao é ser cool, desencantado e estiloso, eu não sei o que é.
Ele, de certa forma, esgotou essa ideia de parodiar cinema dos outros nos Kill Bill, que são sim bons, mas convenhamos, olhem pro seus corações, examinem suas almas; são eles melhores do que assitir LOST? Não, não são. São muito melhores do que alguns episódios de Dexter? Também não. Não são nem melhores do que episódios antigos de Além da Imaginação. E quando voce faz um filme-citação que é divertido, mas não é melhor do que episódios de Star Trek, você tem problemas, meus amigos. Você esta em apuros. Mesmo que você seja um sucesso. Só não percebem isso os deslumbrados. Filme do Bruce Lee e alguns animes são melhores, mais divertidos, corpulentos e vitaminados do que Kill Bill. Por exemplo, "Vampire Hunter D" ou "Ninja Scrool". E isso é um problema, por que eles não foram tão celebrados quanto, e mereciam muito mais. O que nãoo faz um investimento em MARKETING, não é mesmo?
Ele, de certa forma, esgotou essa ideia de parodiar cinema dos outros nos Kill Bill, que são sim bons, mas convenhamos, olhem pro seus corações, examinem suas almas; são eles melhores do que assitir LOST? Não, não são. São muito melhores do que alguns episódios de Dexter? Também não. Não são nem melhores do que episódios antigos de Além da Imaginação. E quando voce faz um filme-citação que é divertido, mas não é melhor do que episódios de Star Trek, você tem problemas, meus amigos. Você esta em apuros. Mesmo que você seja um sucesso. Só não percebem isso os deslumbrados. Filme do Bruce Lee e alguns animes são melhores, mais divertidos, corpulentos e vitaminados do que Kill Bill. Por exemplo, "Vampire Hunter D" ou "Ninja Scrool". E isso é um problema, por que eles não foram tão celebrados quanto, e mereciam muito mais. O que nãoo faz um investimento em MARKETING, não é mesmo?

Tenho um VHS do "Inglorious BASTARDS" original, "O Maldito Trem Blindado", e trata-se de um filme de ação muito divertida, com cenas gigantescas e épicas, no qual um grupo de soldados Norte-Americanos tem que explodir um trem... Maldito. Bom filme, um "Dirty Dozen" espaguete, com baixo orçamento e bastante ação. Não tem NADA a ver com esse. Ou seja, ele comprou os direitos para ter o nome, já que não é uma refilmagem.
Basterds já se inicia com uma cena muito bem montada; numa fazenda francesa, onde o malvado Nazi HANS LANDA interroga de forma inteligente e genial um fazendeiro leiteiro e suas filhas. Nesse momento Tarantino faz valer sua fama de fazer diálogos grandiosos, e a coisa atinge um clímax/conflito que irá levar de forma épica a próxima cena. Chega as raias da genialidade no crescendo das falas. O diálogo é uma inquisição perversa do NONCHALANTE Landa imputada sobre o bondoso fazendeiro, com uma maldosa parábola sobre ratos e Judeus, tudo ocorrendo enquanto uma família Judia está escondida debaixo do chão de madeira. Isso, meus amigos, é saber fazer conflito no cinema. Me mostrem cinco filmes nacionais dos últimos 30 anos que tenham uma cena assim. Não há.
Em outra longuíssima cena, de 20 minutos, ele faz um inocente jogo de bêbados virar uma disputa por informações e percepções sutis em um diálogo em Alemão que se torna uma algo impressionante. Ele leva, leva e leva a tensão com o diálogo e finalmente ESTOURA tudo em uma erupção catártica de tiros e sangue que precisa ser vista para ser compreendida em sua totalidade total.
Michael Fassbender como o crítico de cinema Archie Hicox.
Mélanie Laurent é Shosanna Dreyfuss.
De qualquer forma, o Atirador Alemão é ao menos parcialmente inspirado no ator Audie Murphy, que, diz a lenda, mandou dessa para melhor dezenas de soldados Alemães e virou herói nacional na década de 40. Vi em DVD o filme que ele fez sobre si mesmo, "To Hell and Back", e a fita tem o mesmo principio do filme dentro do filme do Basterds. Murphy foi o soldado Norte Americano mais condecorado existente. Outro bom (e curto) filme com ele é "A Glória de um covarde", também baseado nas confissões, no caso literárias, de um soldado, desta vez um veterano da Guerra da Secessão. Tem em DVD.
To Hell and Back - A maior bilheteria da história da Universal até "Tubarão" de Steven Spielber ser lançado, em 1975.
Portanto, o filme é uma campanha de RPG com você e seus amigos torturando Nazistas pela Europa, e paralelamente a historia de Shosanna e seu admirador nazista, exigindo que ela faça a premiére de seu filme em Paris. Belas cenas de Paris, sob ocupação Nacional-Socialista.
Percebe-se, aliás, que Tarantino escreveu e reescreveu o roteiro. Existem várias tangentes narrativas que ele poderia ter seguido para a história, os cortes foram, de certa forma, meio aleatórios, e duvido, na verdade, que o clímax do filme fosse originalmente onde é. Todos os personagens tem uma sólida historia anterior, mas ele teve que se conter, ou faria uma minissérie. Todavia, toda essa informação dá envergadura ao roteiro e aos personagens. Você mal vê alguns dos Basterds, mas sabe que eles tem todo um passado que poderia perfeitamente ser explorado em uma série de TV.
O cinema Alemão tambem é explorado, em amplas citacões. Muito nerdismo e fanboyzismo, nesse sentido, para agradar pessoas mais informadas do que vocês. Sempre me esqueço de como Tarantino despreza qualquer morte. Nenhum dos personagens se importa com gente morrendo em seus filmes, colegas massacrados e moscas são a mesma coisa, cenas de violência extrema entram e saem como se nada tivesse acontecido, e isso é irreal, imaturo, inseguro e desrespeitoso com o tema (violência).
Apesar da violença gratuita e do poserismo de fanboy alucinadinho, apesar de tudo isso, o filme tem guys in a mission na Segunda Guerra Mundial, objetivo claro, Nazistas sendo escalpelados, final apocalíptico com gargalhadas fantasmagoricas e, finalmente, adentrando a filmografia de Tarantino, uma cena de morte bonita e LÍRICA, emocionante, épica! Com trilha do Ennio Morriconne!
Tarantino mostra que não é apenas um californiano cínico, comedor de cheetos, que ficou vendo filme de kung fu em locadora. Mostra que tem um coração! E que entende amor, dor, traição e perdão.
Ou, ao menos, consegue fazer um simulacro do que viu destes temas em outros filmes.
Excelente cena de morte.
Assistam, são 3 horas que passam rápido. É uma mistura de "Where Eagles Dare" com filme do Ettore Scola e pinceladas de "Cinema Paradiso". O clímax é glorioso, épico, e é a coisa mais anti-alemã que ja vi na vida.
Preencheu minhas expectativas, e me surpreendeu. Sejam fanboys e vejam.
sábado, 29 de agosto de 2009
FLIP 2008
FLIP 2008

Com grande atraso, mais de um ano, venho comentar a FLIP de 2008. Encontrei alguns papéis que usei para anotar coisas que vi naqueles três dias. Foram três excelentes dias, aliás. Paraty revelou-se um lugar muito agradável, e assim também foi quando retornei lá com meu amigo germânico Manuel Rickert, no final do mesmo mês de Julho. Aparentemente ele também gostou muito.
É revigorante estar entre pessoas que lêem, estando no Brasil. Clichê dizer isso, mas a FLIP é um evento bom para se conhecer pessoas e entrar-se em contato com idéias novas, boa diversidade de autores e as mesas sempre trazem idéias instigantes.
Em uma nota completamente não-relacionada com a FLIP, estava eu lendo uma crônica utilizada por amigos para a feitura de um curta metragem, aliás muito bem fotografado, quando comecei a pensar sobre o oficio de escritor. A crônica é do Luís Fernando Veríssimo, escritor por qual tenho grande admiração (apesar de ter lido pouco, as crônicas dele me parecem muito sinceras, simples, diretas) e versa sobre um escritor dizendo algo sobre escrever. Diz ele que o verdadeiro escritor, quando já disse tudo o que tinha para dizer, se mata. Se não, não escrevia. Escreve para expurgar os livros de dentro de si. No final, ele decide não terminar a carta de suicídio/texto que estava escrevendo pois afinal, isso implicaria em que ele tivesse que cometer suicídio. Sensacional essa hein? Vocês não viram ela chegando!
Essa coisa de querer colocar algo gênial para os outros lerem é uma característica da literatura. "Tenho que passar uma mensagem, tenho que ser sofisticado". Um bocado chato e pedante isso, no final das contas. O Veríssimo é bom ok, tá, o cara é demais. Mas essa idéia de que "o verdadeiro escritor se mata depois de terminada a sua obras" e frases (ou idéias) de efeito do tipo são chatas e pseudo-profundas. Isso simplesmente não é verdade. Você pode achar que é verdade se tem uma profundidade emocional/intelectual televisiva, novelesca, da vida.
Está claro que em nada se equipara a complexidade de, digamos, Hardware do Richard Stanley, aí sim, uma verdadeira meditação sobre a vida.
Aqui está um trailer não oficial deste filme:
De qualquer forma, outras variações da arte, como a música, não se tornam obcecadas em querer explicar para os outros como viver a vida, apesar de poderem conter grande sofisticação. Música é assim.
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